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Futebol

Morre o repórter fotográfico Nonato Borges

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Faleceu no final da tarde desta quinta-feira (28), Raimundo Borges de Araújo, mais conhecido como Raimundo Nonato, ou simplesmente Nonatinho, em decorrência de complicações de câncer. Ele tinha 69 anos e mais de 45 dedicados ao esporte do DF.

Ícone da crônica esportiva do DF, Nonato fundou e conduziu o folhetim mais duradouro de esporte do Distrito Federal. Desde 2002 o Galera Candanga era leitura obrigatória antes do início de cada edição do Candangão, com um guia de todos os times que disputariam a principal divisão do futebol local.

Sedimentado em Taguatinga, Nonato vivia à beira dos gramados de todo o DF. Era o mais longevo fotógrafo do nosso esporte. Filiado à Associação Brasiliense de Cronistas Desportivos desde 1977 e um dos co-fundadores da refundação da entidade – era o mais antigo na entidade ao lado do professor Kleiber Beltrão atual presidente da ABRACE -, a história de Nonato se confunde com a do esporte candango, e vice-versa.

Quando Nonato estreava suas lentes nos terrões da capital a modalidade mais amada do Brasil começava a profissionalizar-se no DF. Gama, Brasília, Taguatinga, Grêmio Brasiliense, Sobradinho, Luziânia, Ceilândia levantavam poeira no início do hoje conhecidíssimo Candangão.

Em 2018, na página do Galera Candanga no Facebook, Nonato publicou uma foto do time do Brasília, campeão local em 1976. “Esta foto em 1976, aqui começou a minha caminhada no futebol do DF, que estou ate hoje com muito orgulho do faço“, escreveu na postagem.

Foi Nonato quem presenciou o auge do Taguatinga e do Grêmio Brasiliense nos anos 80 e 90, bem como o declínio dos times no início dos anos 2000. Sob suas lentes Gama e Brasiliense da reta final da década última do Século XX e da primária do XXI trilharam a mais gloriosa página do nosso futebol. Também sob seu olhar apurado ambos os times caíram no ostracismo nacional na virada dos anos 2010.

Era Gamense de corpo, alma, e espírito. Mas nunca deixou de registrar os brilhos e glórias dos adversários. Muito menos ignorou os fracassos de seu clube de coração. Sua lente só se importa com o enquadramento do ângulo da verdade. Debaixo de sol, debaixo de chuva.

Mas nunca importou a Nonato a divisão, ou o prestígio. Não lhe era hábito estar à frente das câmeras, mas por trás delas. Nunca lhe foi importante as glórias, mas a mão amiga. Sempre esteve ao dispor de todos os seus colegas, dos mais experientes aos que engatinhavam no futebol local.

Pessoa gentil, dócil, de uma prestatividade incomparável e sempre com um sorriso no rosto debaixo do sol do gramado de todos os cantos desse DF. Quase sempre com os coletes da ABCD para os fotógrafos e para os repórteres de campo. Era membro vitalício da ABCD e perfilava a entidade há mais de 44 anos. Por ultimo como Conselheiro Fiscal e membro do comitê de sindicância.

Seu filho publicou a seguinte mensagem nas redes sociais:

“Um fotógrafo apaixonado pelo futebol de Brasília, desde 1979 nos Campos do DF. Um homem simples, trabalhador, discreto, de coração generoso, dedicado e disposto na obra de Deus. Muitos anos servindo no Bazar Beneficente da 1° Igreja Presbiteriana de Taguatinga e Junta Diaconal da igreja. Esse era Raimundo Borges de Araújo. Hoje perdemos um grande homem, mas temos a certeza que ele está nos braços do Pai e é isso que nos conforta.”

Nonato deverá ser sepultado na tarde dessa sexta-feira (29/10/2021) no Cemitério do Gama.

A Associação Brasiliense de Cronistas Desportivos decretou luto oficial por 3 (três) dias. A crônica esportiva do Distrito Federal perde muito. Nós, da Esportes Brasília, perdemos um apoiador e um fã incondicional do nosso trabalho.

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