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Copa do Mundo Sub-17

Paguem o Mundial: na raça, Brasil derrota o México, dá o troco de 2005 e é tetracampeão do Sub-17

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Foi sofrido (de novo), foi de virada (de novo), foi na raça (de novo), foi de Lázaro (de novo). Com muita emoção e na base da vontade, o Brasil derrotou o México por 2 a 1 e se sagrou tetracampeão mundial. Os brasileirinhos podem bater no peito e comemorar porque entraram para história após as sete vitórias em sete jogos.

O roteiro parecia o de 2005. México elimina a Holanda. O Brasil chega à final. Naquele dia, a seleção verde entrou melhor e faturou o título. 14 anos depois, Kaio Jorge, Veron e companhia expurgaram o fantasma do vice e faturaram o quarto título brasileiro do mundial da categoria.

Quem achou que o México iria se amedrontar, errou. Pareciam que era a seleção de Chaves que jogava com todo o público a favor. Muito tranquilos e bem postados em campo, eles sabiam o que tinha fazer: Não dar espaço e fechar a forte jogada em profundidade da seleção. E assim fizeram. O “uuh” da torcida foi apenas para uma bola chutada por Peglow, que foi longe. Fora isso, foram roubadas de bola e erros forçados pelo lado do Brasil. 

Mas isso pelos primeiros quinze minutos. Tudo começou a mudar com o lado direito da seleção, principalmente com Veron. Um dos melhores jogadores desse mundial, o camisa 7, assim como a Seleção, acordou para o jogo. No primeiro tempo, tirando um bonito chute de Peglow no travessão, sem chances para o goleiro, as outras grandes oportunidades foram do jogador do Palmeiras.

Na primeira, Veron recebeu cruzamento de Yan Couto e, livre, chutou por cima do gol. Na outra, ele arrancou, passou pelos zagueiros e chutou. A bola bateu nas redes pelo lado de fora. No final do primeiro tempo, foi ele também quem rabiscou bonito na ponta direita. A bola só não foi no gol porque o zagueiro desviou a bola e a jogou para escanteio.

O segundo tempo também foi morno. O jogo seguiu com algumas boas chances, mas sem gols. Luna foi o primeiro a assustar. O camisa 10 recebeu boa bola de Martinez, mas não acertou o gol. Patryck assustou com um chute muito forte de fora da área. 

Aos 21′ veio o que o jogo mais gosta. Mas não da maneira como a torcida gostaria. Pizzuto, bola de bronze do mundial, cruzou na cabeça de Bryan Gonzalez, que testou como o manda o manual para o fundo do gol. Sem chances para Donelli. Era o gol do México.

O Brasil sentiu o gol, mas sabia que não poderia abaixar a cabeça. A situação havia acontecido nas quartas de final, contra o Chile, e nas semi, contra a França, quando o time de Dalla Dea perdia o jogo e precisava da virada. Sabendo da adversidade, o comandante partiu para cima.

E veio o primeiro grande motivo para comemoração da torcida: Lázaro, que foi herói contra a França. Ele entrou, mas ficou escondido até precisar aparecer. Vamos segurar o camisa 20 no ataque, assim como fez bem o México.

O Brasil partiu para cima. Lutou, pressionou, fez uma blitz no ataque para empatar. Em um lance aparentemente morto, Veron entrou na área e rolou para o meio. Ávila, que estava na marcação, deu um carrinho. No rebote, Daniel Cabral dominou e chutou no travessão. Porém, o árbitro de vídeo recomendou a revisão para o árbitro letão, que viu a jogada e marcou pênalti no camisa 7.

Kaio Jorge, chuteira de bronze, ainda almejando a primeira colocação, pegou a bola. Colocou na marca. Respirou fundo. Cobrou no canto direito. Garcia pula no lado certo. O roteiro da emoção está montado. A torcida respirou fundo e extravasou, gol do Brasil. O arqueiro mexicano tocou na bola, mas não conseguiu fazer a defesa. Era o empate dos canarinhos.

Kaio Jorge marcou o gol de empate do Brasil no segundo tempo – Foto: Patricy Albuquerque/Agência EB

Lembra do Lázaro? Era a hora dele. Com a estrela de quem classificou o Brasil para a decisão, ele resolveu aprontar mais uma “pequena” lambança. Kaio Jorge encontrou Yan Couto no outro lado do campo. O lateral do Coritiba olhou para a área e cruzou. Lázaro saiu da marcação desta matéria, da mexicana e tocou de primeira, com muita consciência, com muita qualidade e virou para o Brasil. Era a estrela que a seleção precisava para fazer o céu do Gama brilhar.

Atleta do Flamengo, o camisa 20 lembrou daqueles que se foram na tragédia do ninho em fevereiro deste ano. “Hoje, eu sei que todos eles estão no céu e eles também me abençoaram por esse momento, me empurraram ali no golzinho. Vai se rum momento que vou guardar pro resto da minha vida”.

Lázaro também não esqueceu de Juan, atacante que foi cortado para que ele entrasse nesse time. “Eu mandei mensagem pro Juan, que queria muito estar aqui, e eu mandei mensagem falando pra ele ficar tranquilo, confiar nos planos de Deus. Eu dedico esse gol também à ele, eu vim no lugar dele”, finalizou.

Premiações

Bola de Ouro: Gabriel Veron (BRA)
Bola de Prata: Adil Aouchiche (FRA)
Bola de Bronze: Eugenio Pizzuto (MEX)

“Tudo é uma oportunidade na vida, a gente tem que dar valor a todas as coisas, principalmente às coisas mais simples. Fico muito feliz com o título de melhor jogador, mas principalmente, título de campeão”.

Gabriel Veron

Melhor goleiro: Matheus Donelli (BRA)

“Devo dizer que estou muito feliz. Tenho certeza que eles ficaram felizes, representamos da melhor maneira. Fico muito feliz com o título, com o prêmio individual, todo mundo ajudou, os outros goleiros, se não, eu não seria capaz disso”.

Matheus Donelli

Chuteira de Ouro: Sontje Hansen (HOL)
Chuteira de Prata: Nathanael Mbuku (FRA)
Chuteira de Bronze: Kaio Jorge (BRA)

Final da Copa do Mundo sub 17

México 1×2 Brasil

17/11/2019

Árbitro: Andris Treimanis (LET)
Auxiliar 1: Haralds Gudermanis (LET)
Auxiliar 2: Aleksejs Spasjonnikovs (LET)

Público Presente: 14.544 pessoas
Cartões Vermelhos: Não houve
Cartões Amarelos: Daniel Cabral (Brasil) e Ali Avila, Alejandro Gomez (México)

Gols: Bryan Gonzalez, aos 21, Kaio Jorge, 36, e Lazaro, aos 48 minutos do segundo tempo.

BRASIL

Donelli; Yan Couto (Garcia), Henri, Luan Patrick e Patryck; Daniel Cabral, Diego, Pedro Lucas (Matheus) e Peglow (Lazaro) ; Kaio Jorge e Veron.

MÉXICO

Garcia; Lara, Gomez e Pizzuto; Guzman, R. Martinez, J. Martinez e Gonzalez; Munoz (Gomez), Luna (El-Mesmari) e Alvarez (Avila)

Gabriel Lima é jornalista e editor executivo da Esportes Brasília. Já cobriu uma Copa do Mundo da FIFA (2019).

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