Entre os dias 6 e 19 de agosto, Brasília será o palco de mais um Campeonato Mundial de Asa Delta. Organizado pela FAI (Federação Aeronáutica Internacional) desde 1976, o torneio contará com mais de 140 pilotos (tanto homens quanto mulheres) de pelo menos 29 países. Neste ano, as competições masculinas chegam à 21ª edição, e as femininas, à 14ª.

A capital federal e cidades vizinhas ficarão responsáveis por receberem as aterrissagens dos competidores. As decolagens, por sua vez, serão feitas em Formosa (GO), onde uma rampa será instalada a aproximadamente 1.000 metros de altitude no Vale do Paranã.

De acordo com Dioclécio Rosendo, vice-presidente da Confederação Brasileira de Voo Livre (CBVL), Brasília tem condições climatológicas muito propícias para o voo livre. A cidade, aliás, é apelidada de “Havaí do Voo Livre”. Isso devido a aspectos como os ventos preponderantes do quadrante leste do Distrito Federal, o clima bastante seco (característico nesta época do inverno brasiliense) e as correntes térmicas da capital federal. Dessa forma, é possível que os pilotos tenham voos de cinco horas de duração e de 170 km de distância apenas com forças da natureza.

Além disso, Dioclécio lembra que “a cidade tem uma história muito forte no cenário da modalidade, no Brasil e no mundo. Já foi sede do Campeonato Mundial em 2003 e, depois destes anos todos, seguiu como sede das etapas do Brasileiro de Asa Delta, sendo uma das mais disputadas do circuito, com grande quantidade de provas e estabilidade em termos de clima”.

Por enquanto, 144 pilotos estão pré-inscritos na competição, representando 29 países: Alemanha, Argentina, Austrália, Áustria, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Equador, Espanha, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Guatemala, Holanda, Hungria, Israel, Itália, Japão, Liechtenstein, México, Noruega, Nova Zelândia, Paraguai, Rússia, República Tcheca, Suécia, Suíça e Venezuela.

Entre os homens, o italiano Christian Ciech, campeão mundial em 2015, no México, é um dos principais competidores. Ao seu lado, os três primeiros colocados do ranking da FAI também aparecem como favoritos neste ano. Eles são o australiano Jonny Durand – vencedor do pré-mundial em 2016, também disputado em Brasília –, o brasileiro André Wolf e o austríaco Thomas Weissenberger.

Mundial de Asa Delta volta a Brasília após 12 anos. Decolagens serão feitas em Formosa/GO a cerca de 1000 metros de altitude - Foto: Alex Farias/Arquivo EB
Mundial de Asa Delta volta a Brasília após 12 anos. Decolagens serão feitas em Formosa/GO a cerca de 1000 metros de altitude – Foto: Alex Farias/Arquivo EB

Na competição feminina, a japonesa Yoko Isomoto (atual campeã do mundo, em 2014, na França), seguida pela francesa Françoise Dieuzeide-Banet – vencedora do pré-mundial do ano passado –, pela americana Niki Longshore e pela alemã Corina Schwiegershausen (primeira, segunda e terceira colocadas do ranking da FAI, respectivamente), são os nomes mais fortes entre as demais pilotos.

De qualquer forma, Dioclécio acredita que a lista de favoritos não se resume apenas aos competidores citados. “Como teremos muitas provas e o nível técnico dos participantes é bem elevado, embora alguns pilotos possam ser citados como favoritos no individual, teremos facilmente de dez a doze nomes que podem conquistar esse título”, avalia.

Ainda de acordo com o dirigente da CBVL, a delegação brasileira terá fortes chances na competição de equipes. “Entre as nações, a disputa também promete ser bastante acirrada. Os italianos, atuais campeões mundiais e vencedores do pré-mundial do ano passado, mesmo sem alguns de seus principais pilotos competindo, terão um páreo duro pela frente contra o time brasileiro, que atualmente lidera o ranking FAI de nações e tem cinco pilotos entre os dez primeiros do ranking mundial”, conta Dioclécio. Os outros pilotos brasileiros no top 10 do ranking da FAI, além de André Wolf, são: David Brito Filho, Álvaro Sandoli, Carlos Niemeyer e Rafael Mello.

Histórico do Brasil
Além de Brasília, Governador Valadares (MG) é outra cidade brasileira que já recebeu um Campeonato Mundial de Asa Delta, em 1991. Até o momento, o Brasil tem duas conquistas no torneio. A primeira delas foi em 1981, no Japão, com Pepê Lopes. Depois, em 1999, na Itália, o país conseguiu o seu primeiro título de nações.

Os pilotos brasileiros também já ocuparam outras posições do pódio, tanto individualmente quanto em conjunto. Pepê Lopes e Paulo Coelho (em 1991) e André Wolf e Pedro Matos (em 1999) ficaram com as segunda e terceira colocações das disputas individuais nas respectivas edições. Por fim, o Brasil foi o vice-campeão entre as nações por três vezes: em 1991, 2001 e 2003 (em Brasília).

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