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Copa do Mundo Sub-17

Premonição ou sorte? Lazaro sai do banco e se torna herói improvável no Mundial Sub-17

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O torcedor esperava aqueles heróis que já estão na ponta da língua: Veron e Kaio Jorge, que são os principais jogadores da seleção na competição. Ambos ajudaram, e muito, os canarinhos a saírem com a vitória. O que eles não esperavam é que um menino, convocado de última hora, estaria nos braços do povo. Lazaro, atleta do Flamengo, foi o salvador da pátria com o gol decisivo nos minutos finais de duas decisões. 

Lázaro. 17 anos. Atacante. Flamengo. Artilheiro do campeonato brasileiro da categoria. Convocado de última hora. Informações importantes sobre o improvável herói do jogo de hoje. Até outubro, o garoto trabalhou em seu clube sem saber o aconteceria no primeiro dia daquele mês. Juan, até então convocado para a competição se machucou, e o camisa 20 foi o escolhido para entrar nessa seleta lista que, agora, carrega a medalha de campeã mundial.

E qual foi o primeiro pensamento quando recebeu a notícia de que havia sido convocado? “Fiquei triste por ele, porque é o sonho de todo mundo estar aqui, em uma Copa do Mundo. Os garotos do nosso clube trabalham muito para ter uma chance de estar aqui e Deus me abençoou com essa chance”, disse. E assim, no dia primeiro de outubro, ele soube que jogaria a maior competição de clubes do mundo. 

E se engana quem acha que foi por sorte. O camisa 20 sempre trabalha pensando em melhorar seus número – que já são bons. Neste ano, no campeonato brasileiro Sub-17, o atacante foi campeão e artilheiro. Em 14 jogos pelo Flamengo, ele marcou 14 gols. “Eu venho trabalhando cada dia mais. Eu estava treinando as finalizações, acompanhava as estatísticas para ir sempre melhorando para, quando eu tivesse essa chance, estar pronto e fazer o gol”, falou. 

Lázaro veio para a Copa no Mundo no banco de reservas. Antes da partida contra a França, jogara 30 minutos dos cinco jogos brasileiros. Mas teve a chance e aproveitou. Ele lembrou momentos que ficarão, com certeza, marcados na história. Tanto na dele, quanto na do Brasil, quanto na da Copa do Mundo. “Quando o professor me falou no vestiário que eu ia entrar, eu estava tranquilo, porque no quarto, no hotel, estava me dando uma coisa boa, que eu ia entrar e decidir a partida. Eu fui feliz, o grupo todo foi. Eu acreditei na jogada também”, se emocionou.

É uma coisa que eu sempre coloco na minha cabeça: Acreditar na jogada até o final.

Lázaro, autor do gol da classificação à final da Copa do Mundo Sub-17

Mas também não faltou a humildade. Ele lembrou daqueles que estão por trás da equipe. “Temos que parabenizar a todos, o staff, a comissão porque esses caras são guerreiros, trabalham para gente ter tudo do bom e do melhor.”, lembrou. E claro, de todos os companheiros. “O gol é de todos. Eu tive a felicidade e eles também tiveram”

Foto: Thiago S. Araújo/Agência EB

Guilherme Dalla Déa também não deixou de elogiar o seu herói. Lembrou da artilharia e ressaltou toda a qualidade de Lazaro. “Ele tem um poder de finalização incrível e tem total confiança nossa. Estrategicamente, ele mostrou mais uma vez essa qualidade dele e eu vou parabenizar mais uma vez porque ele entrou com a consciência de fazer gol. O professor não deixou de lembrar o momento em que conversou com ele e Matheus, que acabou não entrando. “Eu abracei os dois e falei que um deles seria peça fundamental hoje, que eles iam virar o jogo”, completou.

Memória e reconhecimentos

Como dito, ele entrou na vaga de Juan, atacante do São Paulo que foi cortado por lesão na véspera da Copa do Mundo. Depois de dar o título para o Brasil, ele lembrou do companheiro. “Eu mandei mensagem pro Juan, que queria muito estar aqui, e eu mandei mensagem falando pra ele ficar tranquilo, confiar nos planos de Deus. Eu dedico esse gol também à ele, eu vim no lugar dele”, finalizou.  

O flamenguista também por momentos tristes no ano. Ele não deixou de se emocionar quando foi perguntado sobre os companheiros que faleceram na tragédia de fevereiro no ninho do urubu. “Hoje, eu sei que todos eles estão no céu e eles também me abençoaram por esse momento, me empurraram ali no golzinho. Vai se rum momento que vou guardar pro resto da minha vida”.

Gabriel Lima é jornalista e editor executivo da Esportes Brasília. Já cobriu uma Copa do Mundo da FIFA (2019).

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