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Rio 2016

Seleção feminina de futebol vive clima de indefinição

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Passada a euforia dos Jogos Olímpicos e todos os seus grandes momentos, independentemente de terem rendido medalhas ou não, voltemos nossas atenções para o futebol, mas não para o masculino, e sim para o feminino.

A medalha de ouro ainda não veio, apesar de todo o esforço das jogadoras e do apoio demonstrado pela torcida que encheu os estádios. Quem pode não admirar, por exemplo, a história e o bom futebol de jogadoras como a volante Formiga – que disputou todas as edições olímpicas desde que a modalidade foi incorporada em Atlanta 96 -, Marta, eleita cinco vezes a melhor jogadora do mundo, ou a goleira Barbara, que proporcionou um dos grandes momentos da Rio 2016 ao garantir contra a Austrália a classificação brasileira para as semifinais? E o que foi aquele clima de consternação após a eliminação ante as suecas?

Mas importante ter em mente que a medalha – não digo nem a dourada, qualquer que seja o metal tem que ser festejada – não veio para o time do técnico Vadão, jamais, por culpa dos “deuses do futebol”, se é que eles existem, mas por conta de erros de fundamentos nos momentos mais decisivos da competição.

Nos textos escritos durante a campanha brasileira, a Esportes Brasília alertou, mais de uma vez, para os erros de passe e principalmente de conclusão,sobretudo nos confrontos eliminatórios. A seguir um trecho do texto pós-jogo contra Austrália, realizado no dia 12 de agosto:

“O time do técnico Osvaldo Alvarez foi mais ofensivo durante todo o jogo, mas esbarrou nos erros de finalização e nas boas defesas da goleira Willians…”

Jamais será feita qualquer comparação em termos físicos entre mulheres e homens, cada gênero tem sua especificidade dentro do esporte. Mas a Seleção Feminina de Futebol, como qualquer time, de qualquer esporte, precisa se atentar aos treinos dos fundamentos que levam uma equipe às vitórias.

Infelizmente, a Confederação Brasileira de Futebol continua com a conhecida postura de empáfia de quem não se importa com o esporte e não respeita as conquistas obtidas com tanto esforço pelas mulheres das quatro linhas como , por exemplo, as medalhas de prata conquistadas em Atenas 2004 e Pequim 2008 ou do título Pan-americano de 2015, em Toronto, Canadá. Pensando no futuro, quem será o treinador no próximo ciclo?

O pior é que existem comentários de que diante da não conquista de medalha na última Olimpíada, a CBF poderia acabar com as atividades da seleção permanente de futebol feminino.

É lamentável que este burburinho tenha surgido, ainda mais depois do pedido feito por Formiga na sua despedida da equipe em que ela pediu humildemente para que o futebol feminino não seja esquecido.

A bola está com a CBF, conosco da imprensa e com as jogadoras brasileiras de renome internacional que podem e tem o dever de se posicionar em busca do crescimento e não da extinção do esporte que lhes renderam coisas boas apesar das imensas dificuldades.

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