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Rio 2016

Nos pênaltis, Brasil vence Alemanha e conquista o ouro no futebol masculino

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O Brasil, depois de muito tentar, finalmente conquistou o ouro no futebol masculino. Com uma vitória suada nos pênaltis, após o empate de 1×1 com a Alemanha no tempo normal, a espera acabou. Depois de conquistar três pratas e dois bronzes, a seleção liderada por Neymar, que bateu o pênalti decisivo, consegue o lugar mais alto do pódio. Essa foi a 13ª participação do país nas olimpíadas, que já contou com atletas renomados como Ronaldinho Gaúcho, Bebeto, Romário entre outros.

História
Correndo atrás de medalhas, a seleção pentacampeã decepcionou diversas vezes. Em 2012, com um time recheado de estrelas, a equipe foi derrotada por uma modesta equipe do México. Naquela ocasião, o time comandado por Dunga sofreu o que era, até então, o gol mais rápido da historia das olimpíadas, aos 29 segundos. Marca essa que foi quebrada pelo atacante do Barcelona na semifinal, 14 segundos, diante de Honduras.

Durante o período de jejum, os canarinhos viram a maior rival, a Argentina, ser campeã por duas vezes. Em 2004, ano em que o Brasil não se classificou para os jogos, depois de um apático quinto lugar no pré-olímpico, e em 2008, derrotada pela própria campeão na semifinal, viram Messi e Di Maria ostentarem a medalha de ouro.

A campanha
Nesse ano, desta vez em casa, a cobrança era muito maior. Com um time formado pelo então terceiro melhor jogador do mundo, grandes promessas que já são cobiçadas por gigantes europeus, exemplo de Gabriel Jesus, que foi vendido ao Manchester City/ING por R$ 121 mi e Gabriel Barbosa, desejado por Manchester United, além de Renato Augusto, constantemente convocado pelo ex-técnico Dunga para a seleção principal.

O inicio da competição não foi fácil. A estreia, assim como o segundo jogo, foram difíceis para os garotos da seleção. Brasília não engoliu os dois resultados sem gol contra seleções teoricamente mais fracas. África do Sul, que jogou grande parte do segundo com um a menos, e Iraque, souberam segurar o Brasil. Após cada tempo, a seleção era vaiada e nem o maior craque da equipe era poupado. Sem dar entrevistas após o segundo jogo, a imprensa esportiva brasileira criticou fortemente a equipe.

Na terceira partida, já na Fonte Nova, em Salvador, o time partiu para cima, a fim de evitar um vexame. Cair na primeira fase não era novidade. A última vez que isso aconteceu foi em 1972, na Alemanha. A grande diferença é que, desta vez, a seleção estava jogando em casa e a torcida não ia tolerar tamanha decepção. Felizmente, o Brasil marcou, não só o primeiro gol, mas quatro. A partir desse jogo, jogando bem, a seleção se aproximou dos torcedores, que já começaram a gritar que o campeão havia voltado.

A partir da segunda fase, a equipe verde e amarela mostrou a que veio. Com uma batalha campal contra a Colômbia, que entrava muito duro e não perdia a viagem, a equipe cresceu, jogou bem e o que eram criticas, virou esperança. A vitória de 2×0 fez a torcida apoiar a equipe. Já não havia mais desconfiança. A seleção de todas as copas se via frente a um fraco time de Honduras na semifinal. Nem o mais pessimista dos brasileiros esperava uma derrota. E assim, veio a goleada com show. Com um 6×0 e o gol mais rápido das olimpíadas, o país garantira – pelo menos – a medalha de prata.

A final
Não era qualquer final. Era simplesmente a seleção que nos despachou na Copa do Mundo em 2014, também no Brasil. A maior goleada de todos os tempos na competição, um 7×1, fez com que todos temessem a tão poderosa Alemanha. A equipe comandada por Joaquin Low jogou solta, fácil e aplicou o vexame no país. Nem o 2×1, na final da copa de 1950, também em terras tupiniquins, ficou em segundo lugar na lista das piores derrotas do país. A seleção europeia levou a taça para casa, assim como a medalha de ouro no futebol feminino, nesta sexta-feira (19), também no Maracanã. Mas os meninos entraram com o espirito olímpico e não deram chance.

O jogo
O jogo começou eletrizante. As duas equipes se estudando para saber qual seria o comportamento durante o jogo. A Alemanha chegou forte logo aos 11 minutos com Brandt. Ele recebeu a bola de Gnabry, depois de boa jogada e chutou colocado, longe do alcance de Weverton, e carimbou o travessão.

O lance serviu para acordar o Brasil que partiu para cima. Aos 27, os donos da casa abriram o marcador. Neymar recebeu falta e ele mesmo cobrou com perfeição e anotou um golaço. Depois do gol, o Brasil recuou e ficou tocando bola no campo de defesa e pouco se lançava ao ataque. A Alemanha adiantou sua marcação e seguiu pressionando.

Neymar abre o placar no Maracanã lotado. O gol saiu no primeiro tempo de jogo - Foto: Roberto Castro/ Brasil2016

Neymar abre o placar no Maracanã lotado. O gol saiu no primeiro tempo de jogo – Foto: Roberto Castro/ Brasil2016

Logo aos 30 minutos, os visitantes tiveram boas oportunidades e quase chegaram ao empate. No primeiro lance de perigo, a falta cobrada pelos europeus cruzou toda a área, desviando no miolo da zaga e dando em escanteio. Após a cobrança, Meyer chutou forte para uma boa defesa de Weverton. Na sequência, ele sofreu falta de Gabriel. Brandt cruzou e Sven Bender que cabeceou e acertou, novamente, o travessão.

O segundo tempo começou equilibrado, com as duas equipes sem muita intensidade. A Alemanha chegou ao empate apor erro de passe de Marquinhos. Aos 14 minutos, após cruzamento, Meyer chutou rasteiro de primeira, para vencer o goleiro Weverton. Foi o primeiro gol sofrido pela seleção nas olimpíadas.

O jogo seguiu com poucas oportunidades reais de gol. Aos 20, Gabriel Jesus recebeu boa bola e, pressionado, chutou para fora. A última boa chance do jogo foi do Brasil. Felipe Anderson recebeu boa bola de Neymar e demorou para finalizar, acabou desarmado. Com o 1×1 no placar, o jogo seguiu para prorrogação.

Empate saiu no segundo tempo, levando a final olímpica para a prorrogação - Foto: Ministério do Esporte

Empate saiu no segundo tempo, levando a final olímpica para a prorrogação – Foto: Ministério do Esporte

Os primeiro quinze minutos correram igual a etapa complementar do tempo normal. As equipes sem muita intensidade. A Alemanha, aos 7, chegou bem. Petersen lançou para Brandt que, dentro da área, finalizou por cima.

Na última parte do jogo, o Brasil entrou determinado a evitar a disputa por pênaltis. Logo no início, Felipe Anderson recebeu excelente passe de Neymar e chutou na saída do goleiro, que fechou o ângulo e mandou para escanteio. O jogo seguiu com o domínio mudando de lado. A Alemanha se manteve com a posse de bola por meio tempo e o Brasil com o domínio no final. Sem gols, a partida seguiu para os pênaltis.

Todos converteram as penalidades ate a última cobrança. Peterson, um dos jogadores acima de 23 anos da equipe alemã, chutou para defesa de Weverton. Coube a Neymar, craque do time, dar a medalha de ouro para o Brasil. Com uma excelente cobrança, ele garantiu o inédito primeiro lugar no pódio.

Neymar (C) e jogadores comemoraram muito a conquista do inédito ouro olímpico - Foto: Roberto Castro/ Brasil2016

Neymar (C) e jogadores comemoraram muito a conquista do inédito ouro olímpico – Foto: Roberto Castro/ Brasil2016

O bronze
Em um segundo tempo emocionante, a Nigéria derrotou Honduras por 3×2 e garantiu o terceiro lugar no pódio. Os gols da equipe africana foram marcados por Sadiq Umar (2) e Aminu Umar. Os hondurenhos Antony Lozano e Marcelo Pereira fecharam o placar. Agora, o futebol do país tem as três medalhas, sendo ouro em Atlanta 1996 e prata em Pequim 2008. Depois de fechar o primeiro tempo com o placar de 1×0, os nigerianos completaram seu marcador logo aos 10. Com garra e muita correria, os hondurenhos conseguiram reagir, marcando dois gols e vendendo caro essa derrota.

Gabriel Lima é jornalista e editor executivo da Esportes Brasília. Já cobriu uma Copa do Mundo da FIFA (2019).

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