Siga Nossas Redes Sociais

Futebol

“A falta de patrocínio master inviabilizou o time feminino”, desabafa diretor do Real Brasília

Em entrevista exclusiva à Esportes Brasília, Pedro Ayub comentou desistência da equipe do Brasileirão Feminino em 2026

Escrito em

Foto: Giovani Leonel/Real Brasília

Após o anúncio do encerramento das atividades do futebol feminino, a Esportes Brasília conversou, com exclusividade, com Pedro Ayub, diretor do Real Brasília, que gentilmente esclareceu toda a situação divulgada pela equipe em uma nota oficial no último dia 31 de dezembro de 2025. Em entrevista ao Lance, o patrocinador Master explicou os motivos para a não renovação do contrato.

O dirigente pontuou que, levando em consideração a diferença de investimento necessária no início do projeto das Leoas em relação ao necessário no cenário atual da modalidade, a continuidade da modalidade feminina do time não se sustenta sem a renovação do contrato do Banco de Brasília (BRB).

Durante a entrevista, Ayub lembrou que um Projeto de Lei (já aprovado em dezembro de 2025, o Programa de Apoio ao Futebol do Distrito Federal) ajudaria o clube a se manter financeiramente.

O que gerou?

Enquanto aguardava a situação do PL, o clube procurou soluções com patrocinadores e possíveis apoiadores, mas não conseguiu o tão desejado “sim”. Dessa forma, Ayub garantiu que a decisão foi tomada enquanto a resposta não era dada quanto à renovação do patrocínio master do Banco BRB.

“Tentamos manter o projeto e procuramos apoios, mas a falta de resposta do BRB inviabilizou bancar as meninas que estavam conosco. O início e a manutenção do projeto nesses seis anos deu muito certo, inclusive contribuindo para o DF estar bem colocando no Ranking Nacional atualmente”, destacou o diretor.

E o Candangão?

Na nota do clube no Instagram, a equipe informou que abriria mão da participação no Brasileirão A1, a elite do futebol feminino brasileiro. Sem os aportes financeiros, o Real Brasília não deve fazer parte do Candangão em 2026, pois, ainda assim, precisaria de investimentos financeiros para ter uma equipe competitiva. O dirigente foi bem incisivo quanto à questão: “acho muito difícil”.

O que diferencia profissional masculino e base do feminino?

No tema discutido, Pedro Ayub ressaltou que tem sobrado até mesmo para atletas da base do Real Brasília, principalmente nas redes sociais. Usuários têm atacado os jovens do time, sem entender o porquê da sequência da base e do masculino, enquanto o time feminino se desfez.

Os valores, em 2019, eram muito diferentes no feminino em relação aos atuais, e o diretor garantiu que é muito difícil competir na elite, destacando os valores altíssimos apresentados por um clube da elite ao levar algumas jogadoras.

“Brasília tem um número restrito de empresas grandes daqui, por isso eu entendo que falta um pouco de apoio ao esporte local. Além disso, o tamanho alcançado pelo futebol feminino no Brasil fez com que seja bem mais barato manter categoria de base do que boas jogadoras. A diferença salarial e de investimento entre os dois faz ser mais fácil conseguir apoio financeiro para a molecada do que manter um time no Brasileirão A1”, pontuou o executivo.



Comunicador formado pela Universidade de Brasília. Faz parte da equipe há mais de sete anos e também tem passagens pelo Bora Soluções Esportivas.