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Nó Tático

Invasão Europeia

Escrito em

Paulo Martins

Não, isto não é um livro sobre as grandes navegações, embora pareça. O fenômeno da Invasão Europeia de técnicos é um capítulo recém-iniciado no futebol brasileiro. Basta ver a dificuldade em que Liverpool e Chelsea bateram Flamengo e Palmeiras, com técnicos portugueses. Nós, em geral, ainda não assimilamos essa nova realidade.

Outro dia, na parada de ônibus, dois senhores falavam de futebol. Fofoqueiro, como qualquer jornalista, ouvi a seguinte pérola: “O Botafogo tá atrás do tal do Saravia, pro ataque”. Alguém tem que dizer a este cavalheiro que Renzo Saravia já joga no alvinegro carioca, que quer contratar Zahavi, o israelita do PSV holandês. E isso responde muito sobre o público que tem no futebol brasileiro. As gestões que fazem dos clubes máquinas de sócio-torcedor, milhões de qualquer unidade monetária e ingressos são outra questão.

E nesse ritmo, viramos colônia outra vez: de Colombo a Abel Ferreira, de Cabral a Jorge Jesus, de Hernán Cortez a Miguel Ángel Ramírez. Claro que futebol não é e nunca será ciência exata e exemplos falham e falharão: Paulo Souza, o próprio Ramírez, Jesualdo Ferreira, Domenec Torrent. O grande número de portugueses é um acontecimento tão particular, que em 2022 temos o primeiro técnico português da história do futebol argentino! O Talleres de Pedro Caixinha está nas oitavas da Libertadores e pode cruzar o River Plate nas quartas se passar do Colón. Seria um interessante confronto, principalmente em como o técnico millonario deixou ir (emprestado) o novo Higuaín, chamado Federico Girotti. Torço pela lei do ex no Mario Kempes, em Córdoba, e no Monumental.

Como as colônias exportam produtos, a América do Sul exporta sempre bons nomes, com uma atual safra satisfatória de brasileiros, argentinos, uruguaios e colombianos. Na mesma moeda, técnico por técnico, só a Argentina, no entanto, exporta nomes. Só nas últimas duas décadas saíram para o Velho Continente nomes como Gerardo “Tata” Martino, Diego “El Cholo” Simeone, José Pekerman, Jorge Sampaoli, Marcelo “El Loco” Bielsa, Mauricio Pocchetino, Manuel Pellegrini. Sem falar em Marcelo “El Muñeco” Gallardo, que empilha taças no River e é citado, semestralmente, em clubes como Barcelona, Tottenham e PSG.

Os argentinos, sim, sabem, amam, estudam e apreciam o futebol muito mais que os brasileiros. Ou você imagina o Fernando Diniz dirigindo o Manchester United? Hoje são prospectos argentinos alguns que nós vimos jogar (muita) bola: Martín Palermo (no Aldosivi de Mar del Plata), Fernando Gago (no Racing) e Carlos Tévez (no Rosario Central).

O brasileiro curte tanto e pensa pouco em futebol que não tem um camisa 10 (de função) que arme o jogo e seja unanimidade. E ainda assim queremos o hexa, achando que de forma isolada o nosso futebol cresce, limitando a quantia de estrangeiros por clube. Se a moda pegasse na Europa, os clubes brasileiros não passariam nunca da fase de grupos da Libertadores. Mas, por “sorte”, já chegou o moneyball às gramas retangulares do “país do futebol”.

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