O Capital Clube de Futebol apresentou um projeto para gerir parte do complexo do Centro Administrativo Vivencial e Esporte (Cave), no Guará II. Pelos termos da iniciativa, publicada no Diário Oficial do DF nesta segunda-feira (16), caberia ao clube administrar a área anexa ao estádio, que engloba uma praça e o campo de terra do local.

A proposta da Coruja é abarcada no projeto Adote uma Praça, ação do governo distrital para recuperar espaços públicos via esfera privada. A Administração Regional do Guará ainda pode receber outras ofertas de gestão para o espaço, pois o edital continua aberto.

O objetivo do clube, num primeiro momento, é dar nova cara à praça, ao “terrão” e abrir o uso para a comunidade. “É uma oportunidade para revitalizar o espaço e disponibilizar para a molecada do Guará, tirar o pessoa da rua e levar para o esporte, formar um centro de formação de atletas”, afirma Godofredo Filho, presidente do clube. Ele também comenta que todo o investimento sairá dos cofres do Capital, através de parceiros e patrocinadores. “Vamos buscar acordos para levantar os fundos necessários e realizar as reformas que nos propomos a fazer”.

O clube pretende, também, levar a preparação dos atletas do time principal para o local. Assim, o Capital uniria a formação de novos jogadores com os treinamentos dos profissionais do clube. “Até pra promover o contato de atletas profissionais com os jovens. É sempre estimulante para um garoto treinar e ver jogadores profissionais treinando ali ao lado. Por enquanto é apenas isso, mas temos o interesse no complexo inteiro”. revelou o dirigente com exclusividade à Esportes Brasília.

Onde a Coruja mora

Godofredo acrescenta que este é um primeiro passo na ideia do Capital de tomar para si a gestão do complexo inteiro, e garante que a agremiação quer se instalar na RA onde nasceu e deu os primeiros passos no esporte candango. É um projeto voltado para o Guará. Apesar do nome e de representar o quadradinho como um todo, nós somos um clube fundado no Guará, nossa história começa ali”. Para tal, ainda há de se esperar a reforma da praça esportiva, que depende do aval da Secretaria de Esportes (SEE) e do Executivo. 

As obras no Cave serão feitas no mesmo modelo da reforma do Mané Garrincha, cuja gestão foi assumida recentemente pela Arenaplex, numa Parceria Público-Privada (PPP). “Quando tudo estiver definido com o governo, nós vamos apresentar proposta com custo anual e um projeto multiuso para gerir o estádio e, quem sabe, mandar nossos jogos lá”, declarou o cartola à EB. Os responsáveis pela reforma da praça esportiva declararam que em até 60 dias haverá definição sobre o futuro do campo. 

Cautela

Em resposta à Esportes Brasília, a Administração Regional do Guará garantiu que, por ora, não há definição de quem ficará encarregado do complexo. Segundo o órgão, a publicação da proposta no Diário Oficial do DF apenas cumpre uma etapa prevista no Decreto 39.690/2019, que dá forma ao Adote uma Praça. A Administração não informou quantos postulantes concorrem com o Capital, nem comentou sobre possíveis preferências ou direcionamentos no processo de escolha. 

Confira a nota da Administração:

A Administração Regional do Guará informa que a publicação no Diário Oficial do DF acerca da cooperação entre o Capital Futebol Clube e a regional cumpre um dos requisitos do projeto “Adote uma Praça” conforme Decreto No 39.690 , de 28 de fevereiro de 2019, entre governo, comunidade e instituições privadas para adoção de logradouros públicos.

A  empresa adotante apresentou projeto de benfeitorias para a manutenção da área que englobam pintura, reformas, roçagem, limpeza, entre outros serviços de revitalização.

Importante ressaltar que outros postulantes à adotar a praça ainda podem apresentar projetos. O melhor avaliado pela equipe técnica será implantado com prazo de vigência de  até um ano.

Local está interditado há mais de cinco anos por falta de segurança – Foto: Gabriel Jabur/Agência Brasília

Estádio está parado há anos

Uma das principais praças da história do esporte candango, o estádio Antônio Otoni Filho está desde 2012 em intermináveis reformas.

Sete anos atrás, o Cave recebeu R$ 6,2 milhões do Ministério do Esporte para obras de adequação para a Copa do Mundo e às Olimpíadas, mas as medidas nunca foram finalizadas.

O Cave abrigaria os treinos das seleções que jogariam a Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016 na Capital Federal.

A obra, inicialmente planejada para durar cinco meses, foi estendida para oito meses, um ano, e depois suspensa após o então Ministério do Esporte sustar os repasses para a reforma.