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Futebol

“Insistir em processar a vítima é revitimizá-la”, diz defesa de fisioterapeuta contra processo do Real Brasília

A defesa da fisioterapeuta acusou o Real Brasília de revitimizá-la ao processá-la após denúncia de assédio, reafirmando o direito legítimo da vítima de relatar o caso

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Foto: RealTV/Divulgação

A defesa da fisioterapeuta processada pelo Real Brasília criticou a decisão do clube candango de mover uma ação contra a profissional da Ferroviária. O caso diz respeito a um suposto episódio de assédio ocorrido no confronto entre as duas equipes, pelo Brasileirão Feminino do ano passado.

Em nota enviada à Esportes Brasília, a advogada Josimara Veiga Ruiz afirmou que a denúncia feita pela fisioterapeuta é uma medida legítima e que a profissional não deveria ser prejudicada por exercer seu direito. Na ocasião, a fisioterapeuta relatou assédio por parte de funcionários do Leão do Planalto.

“Denunciar ou registrar qualquer tipo de importunação sexual é conduta expressamente legítima, não podendo a vítima sofrer prejuízos por exercer seu direito. Ainda que não tenha sido possível individualizar quem fora o assediador, insistir em que a vítima seja agora processada é revitimizá-la, o que se revela inadmissível e repulsivo. Esperamos que o tribunal mantenha a rejeição da acusação e arquive o caso”, disse.

O caso terá desfecho em duas semanas e será analisado por uma turma de desembargadores colegiados do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT).

Processo

Os advogados do Real Brasília apresentaram uma queixa-crime contra a fisioterapeuta e a diretora de futebol feminino do clube paulista pelo crime de calúnia. Segundo os defensores do clube de Luis Felipe Belmonte, a acusação de que integrantes do Real Brasília, uniformizados, teriam feito comentários de cunho sexual a fisioterapeuta é falsa. Eles alegam que as denúncias expuseram indevidamente a instituição.

O caso já foi analisado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), em setembro do ano passado, quando a denúncia apresentada pela Ferroviária foi rejeitada, absolvendo o Real Brasília.

Logo após a vitória no STJD, o clube procurou a Justiça comum, pedindo a condenação da dupla da Ferroviária pelo crime de calúnia contra a instituição, mas o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) optou por não dar prosseguimento à queixa-crime, que também foi rejeitada pela 2ª Vara Criminal, em primeira instância.

Em nota, o advogado José Francisco Fischinger, que representa o clube, afirmou que o recurso foi apresentado por considerar a decisão inicial injusta.

“Nós alegamos que houve a descrição de um fato aparentemente falso que resultou na exposição da reputação do clube. E, posteriormente, a amplificação desse episódio nas redes sociais”, explicou Fischinger.

O advogado também contesta as alegações de que os comentários partiram de integrantes do Real Brasília. “Não estamos apontando essa ou aquela pessoa, mas afirmando que o episódio descrito na súmula não aconteceu”, completou.

A EB não conseguiu localizar o advogado da diretora da Ferroviária. O espaço permanece aberto para manifestações.

O caso

O episódio ocorreu em 19 de março do ano passado, durante a segunda rodada do Campeonato Brasileiro Feminino. Na ocasião, a fisioterapeuta da Ferroviária foi chamada para atender a goleira Luciana, aos 40 minutos da etapa final. Durante o atendimento, integrantes do clube candango, supostamente, teriam feito comentários de cunho sexual sobre a aparência física da profissional.

Após a partida, a fisioterapeuta denunciou o ocorrido à delegada responsável, que registrou o relato na súmula da partida. No dia seguinte, a Ferroviária divulgou uma nota pública acusando o Real Brasília de assédio sexual e informou que havia aberto um inquérito no STJD.

Em resposta, o clube do Distrito Federal negou as acusações e classificou as evidências apresentadas como “falsas e levianas”.

É repórter do Correio Braziliense e atua como comentarista da Esportes Brasília desde maio de 2024.