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Nó Tático

Se a moda pega…

Escrito em

Paulo Martins

E veja como o jornalismo às vezes paga pela língua e pela falta de apreciação de uma cultura de confiança… na última edição do Nó Tático eu falava sobre o confronto que definiria os destinos de Antonio Mohamed e Abel Ferreira à frente de Atlético Mineiro e Palmeiras. Pois, justamente na mesma semana, após empatar com o Cuiabá fora de casa, o Galo demitiu o técnico argentino e readmitiu Cuca como seu líder. Este fator, por si só, é caldo completo para a revanche atleticana nas quartas de final da Libertadores.

Mas à parte disso, esta questão da pouca manutenção de técnicos no futebol brasileiro é pano pra manga e sempre dá no que falar. Basta vermos que ” El Turco” foi demitido por muito menos que Luis Castro no Botafogo, que segue bancado a todo custo e bateu, no último sábado (23/7), o badalado Athlético Paranaense de Felipão, pelo Brasileirão. E com sobras.

Sempre entra-se no debate de como seriam os times brasileiros se confiassem num técnico como o Liverpool confiou em Jürgen Klopp. Claro que a proporção não é a mesma, mas há indícios desta tese firmar-se por aqui. Considera-se, com isto, que Abel Ferreira não será ponto de análise por estar fora da curva média. Este, inclusive, estaria em constante balanço ou até fora do Palmeiras sem os títulos que conquistou, pela impaciência intolerante da cultura do futebol nacional e pela imprensa massacrante, que não aceita qualquer deslize.

Com isto, chegamos ao caso de Lisca, que ficou menos que duas semanas no Sport e se mandou para as bandas da Vila Belmiro, para comandar o Santos. Prometeu um time santástico em cinco anos, logo ele que ficou mal cinco semanas no Recife. Pouco menos que o mesmo tempo em que durou o estranho Maurício Souza à frente do Vasco, trazendo a um time que não satisfazia em campo os resultados negativos que ainda não servem para sair da Série B.

Os custos e experiências mostram como cada clube e cada direção lida com os empirismos de buscar uma forma de assegurar, pragmaticamente, os resultados no futebol. Isso diz um pouco sobre o futebol ser resultado e muito mais uma questão de dinheiro do que nunca antes fora na história.

A torcida, de igual forma, também entrou neste mecanismo. Basta ver como flamenguistas se sentem agora em relação ao time. Outra dinâmica é a da volta de técnicos “medalhões” sendo um sucesso. Basta ver o espetáculo que esperamos de Flamengo (de Dorival Júnior) e Athlético Paranaense (de Felipão), rivais nas quartas da Copa do Brasil, que se iniciam nesta semana.

Gente de geração antiga e gente de geração nova (como Fernando Diniz à frente do Fluminense, julgado por muitos como o melhor futebol do Brasil na atualidade) comandam, cada qual à sua maneira, as casamatas do futebol brasileiro. Mas e se o mecanismo de acreditar no professor for algo que sobressaia às decisões políticas e interna dos clubes, tal e qual na Europa, funciona para o futuro? E se a moda pega? Poderemos ter um gostinho disso nesta reta final da temporada, que virá para lá de picante.

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