Buda Mendes/Getty Images

Colaborou Gabriel Spies

O UFC desembarcou, pela segunda vez na história, em Brasília para um card considerado de alto nível. No octógono, nomes como Do Bronx, maior finalizador da organização, Kevin Lee, Demian Maia, Renato Moicano, entre outros. Porém, uma das coisas que mais chamou a atenção foi o eco da “buzina” de encerramento dos rounds e as respirações dos atletas, tomavam conta de um vazio e silencioso Nilson Nelson.

E esse foi o motivo que tornou histórica a tarde do dia 14 de março. Por conta da pandemia que tomou conta conta do mundo nos últimos meses, o governo do Distrito Federal determinou que todos os eventos que mobilizassem mais de 100 pessoas, fossem disputados com portões fechados. Assim, o UFC manteve os portões fechados pela primeira vez.

Incrivelmente, todas as lutas do Card Preliminar, assim como duas, dos cinco confrontos do Princiapal, foram decididos por decisão unânime. Dessas, quatro brasileiros saíram como vencedores, sendo eles Elizeu Capoeira, Amanda Ribas e Francisco Massaranduba. Bruno Bulldoguinho, Mayra Sheetara e Jussier Formiga foram considerado perdedores em seus confrontos. Rani Yahya empatou com Enrique Barzola.

Este último, inclusive, é brasiliense. Ele fez um luta muito sólida, mas acabou perdendo o ritmo no terceiro round. “Eu estou decepcionado com o empate. Eu estava com a luta na mão, foi por detalhes”, disse. Para finalizar, ele ainda falou sobre o fato de ter lutado com os Portões fechados em sua casa. “Seria bom demais ter família e as pessoas torcendo por mim, mas não vou atribuir o resultado a isso”, completou.

Card Principal

Uma das primeiras lutas sem decisão dos juízes foi o duelo de gerações do jiu-jitsu entre Gilbert Durinho e Demian Maia. Melhor para o primeiro, que conseguiu um nocaute técnico, com 2 minutos e 34 segundos do 1° round. Sabendo que seu adversário era mais experiente e com mais tempo de organização, Durinho buscou fugir do chão.

Como de costume, Maia buscava, a todo custo, levar a luta ao solo. Até levou, quase conectou um mata-leão, após derrubar Durinho. Porém, a estratégia do vencedor deu certo. Logo que se desgarrou, Gilbert, Com um cruzado de esquerdo, derrubou Demian e saiu com a vitória.

A luta que estampava a logo do evento, Charles do Bronx venceu Kevin Lee por finalização aos 28 segundos do 3° round. O brasileiro é o maior finalizador da história do UFC, com 14 vitórias desta forma na companhia, e 13º colocado no ranking dos leves. Mesmo com o americano tendo ficado 1,1kg acima do limite dos leves, que é até 70,8kg, o brasileiro resolveu lutar.

A luta foi da forma como ele, e todos que o acompanham, esperavam: no chão. Ele tentava, de todas as maneiras, descer a luta e utilizar o jiu-jitsu para vencer. E foi assim, nos três rounds. No primeiro, ele fez o que pode, mas não conseguiu finalizar. No segundo, Kevin Lee se safou por pouco de uma finalização de omoplata.

Mas aí, chegou o terceiro e a vitória. Aos 28 segundos, Lee buscou a perna de Do Bronx, que foi mais rápido e aplicou uma guilhotina no americano. Sem conseguir se desvencilhar e sair da incômoda situação, ele bateu três vezes para parar a luta. Assim, o brasileiro ampliou o seu record de finalizações e teve sua mão levantada pelo juiz do confronto pela sétima vez seguida.

O destaque candango da noite ficou para Renato Moicano. O Brasiliense, que prioriza o Jiu-jitsu e o Muay Thay no seu estilo de luta, finalizou o bósnio Demir Handzovic, com apenas 44 segundos, mostrando que estava em casa.

Após a vitória, Moicano desabafou após uma semana complicada. “Meu filho passou dois dias no hospital, a gente não sabia o que era. Foi muito difícil, eu pensei até em sair da luta, não tinha condições de lutar com ele passando mal”, pontuou. Apesar disso, ele teve muito apoio para passar todas as adversidades e chegar bem na noite de ontem. “Minha mulher manteve a calma, me ajudou a manter a calma por aqui e deu tudo certo, meu filho está ótimo. Dedico essa vitória aos dois”, finalizou.