De Samara/RUS – Um dia após a vitória do Brasil sobre o México, aguardando o transporte para retornar a Moscou, virei a noite em Samara, fazendo mais uma peregrinação fotográfica. Ao final dela, num lugar que amanhece as 3 e o sol se põe as 10 da noite, só resta a exaustão para dormir e ela estava reservada para a viagem de trem.

Já nos arredores do Monumento ao Trabalhador de Asas, encontrei um jovem fotógrafo chinês, que esteve algum tempo no Brasil. Seu ensaio tinha as mesmas intenções que o meu, mas meus motivos eram mais fortes, o Brasil deixou uma ótima impressão na cidade dos ases voadores.

Ele me perguntou se eu gostaria de ter uma fotografia minha. Não tenho esse hábito, me sentia arrasado, mas topei. Ele fez duas, uma com o Monumento e outra dirigida a Igreja com sua cúpula quase sempre banhada a ouro. O melhor enquadramento acabou sendo o da Igreja.

Fez sentido, só mesmo agradecendo a Deus por todas as circunstâncias vividas por mim e por tantas pessoas que encontrei pelo caminho dessa peregrinação, diante de seus desafios e transtornos, só transponíveis por obra e ação divina.

Esse lugar sagrado, que habita dentro de nós, dá um sabor diferente a vida.

É claro que a soma de atos e solidariedade como essas é que fazem crer numa humanidade substituindo as máquinas, pelo menos no momento em que elas falharem. Se o braço mecânico não te segurar na queda do despenhadeiro, que seja o do principal aliado de Deus, o homem.

Nas costas, uma das mochilas, gentilmente emprestada pelo Leonardo de Sá, que batizei de “mochila de ataque”, porque com ela nas costas é pra fazer gol. Solução adotada para reduzir o nível de desgaste em percursos mais longos com necessidade operacional intensa. Meu coração não tem mais idade para certos excessos. Encontrei a equação mais adequada e deixei a “número 1” em Moscou. Trinta kg não é compatível com 55 sem dormir e sem comer.

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