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Futebol

Constrangimento e desorganização: o retrato de um time da Segundinha do DF

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Atualizada em 30/09/21 às 00:53

Amadorismo no esporte. Talvez esta frase faça sentido em muitas frentes no nosso país. Contudo, no que se refere ao modelo de Gestão do Futebol, o que predomina é a busca excessiva ao erro.

Parece série antiga, mas é um novo episódio: trata-se da situação do Bolamense FC neste início de Segundinha do Campeonato Candango. Um ex-dirigente do clube listou uma série de acusações contra o presidente do time António Teixeira, além do descaso com os atletas e a modesta comissão técnica, evidenciando o constrangimento vexatório por parte do mandatário.

No último final de semana, a Onça Pintada finalmente pôde estrear pela divisão de acesso da competição mais importante da capital federal. Porém, com apenas 11 atletas em campo – sem suplentes -, material para o ofício incompleto e sem a mínima condição de competir, quem esteve presente no Estádio Serra do Lago, em Luziânia, no último sábado (25), sabia que a derrota já não era uma surpresa.

Após a derrota por 2×0 para o Planaltina, o Bolamense não esboça muitas expectativas na competição. Ao término da partida, o ex-Diretor de Futebol, Bruno Alemão, anunciou por meio das redes sociais o desligamento do cargo. Junto dele, o técnico Allen Godinho também deixou o elenco: “Na data de hoje 25/09 venho informar que me desligo da instituição Bolamense. Sempre vou trabalhar com transparência, honestidade e muita organização, alguns brincam futebol no DF, infelizmente, tentei evitar o inevitável, tenho um nome a zelar”, disse Allen Godinho, na conta pessoal, sem comentar os motivos da saída.

Além de Bruno Alemão, saíram Allen Godinho (treinador da equipe), Alexandre de Almeida (auxiliar técnico), Wander Lira (preparador físico) e Gabriel Alves (treinador de goleiros).

Foto: Jonas Pereira/Divulgação

Em relato, noticiado em primeira mão pelo Distrito do Esporte, Bruno Alemão, agora ex-diretor de Futebol da Onça Pintada, também procurou a Esportes Brasília e falou sobre as conversas que teve junto ao presidente, Antonio Teixeira, às vésperas da competição e esclareceu o motivo das saídas. “Tudo feito na base das promessas e do improviso”, disse.

Ao responder sobre a preparação da equipe, Alemão reforça o desinteresse por parte do mandatário da equipe: “Eu pedi a senha da nossa GestãoWeb (sistema de cadastro de jogadores na FFDF) na primeira semana de treino, ele me passou sexta-feira à noite (às vésperas da partida), porque não tinha mais saída. Nós tínhamos apenas cinco atletas registrados no BID”, explicou.

Naquele momento, já eram 18h40 e Bruno ressaltou ao dirigente: “Tudo o que eu falava, ele dizia que eu não entendo, porque sou principiante, sou iniciante no futebol”, retrucou.

Sobre a inscrição dos atletas, Bruno disse: “O auxiliar técnico (Alexandre Almeida) me ligou e disse: Alemão, infelizmente, vai ser W.O”. E declarou em aberto: “Eu fiquei com dó dos jogadores e acionei o Alexandre para completar os 11 atletas, que eu mesmo irei pagar”, relatou.

Segundo Bruno, ele teria pago o registro dos atletas da equipe com dinheiro do próprio bolso, após o clube correr o risco de ceder a vitória a equipe adversária (na ocasião, o Planaltina) na rodada de estreia da competição, pela impossibilidade de competir.

Escalação fornecida pelo Bolamense à beira do estádio Serra do Lago, no último sábado – Foto: Reprodução

Série antiga, episódio novo

Em 2018, o Bolamense já havia sido notícia negativa em reportagem apurada pelo GloboEsporte.com, em descumprimento de contratos da equipe com ex-jogadores, ex-técnico e prestadores de serviço, além de ser rebaixado de divisão.

Outro episódio, mais recente, foi na temporada passada, quando a equipe de Antonio Teixeira sofreu logo na estreia, perdendo por W.O para o SESP Samambaiense, time gerenciado pelo próprio Bruno Alemão. Naquela ocasião, a equipe sofreu mais duas derrotas, dando adeus a mais uma participação.

De acordo com o ex-diretor, ao debater sobre o planejamento da equipe na competição, o presidente dizia que a falta de registro dos atletas no BID (Boletim Informativo Diário) é normal no em nosso futebol. Alemão ainda ressaltou: “Todos nós somos os culpados, menos ele. Falta comida nos alojamentos, ele culpa a equipe de cozinha, não conseguimos bola da federação, ele culpa o Daniel (Daniel Vasconcelos, presidente da FFDF), não conseguiu escrever os caras no BID, ele culpa o Daniel, a Federação e culpa o Pedrinho (Pedro Masseno, funcionário da FFDF). Quando o uniforme não é entregue, ele coloca a culpa no pessoal da gráfica. Ele não assumiu o erro”, declarou.

Preparativos para a estreia

No dia anterior à estreia, o Bruno Alemão diz ter procurado o Pastor Antônio para buscar o material de rouparia da equipe que seria utilizada na partida. “Fui até ele buscar o uniforme e ele ficou foi bravo, não queria dar os uniformes”, explicou, informando o que aconteceu no dia seguinte, na manhã da partida: “marcamos o horário da saída do alojamento às 8 horas e nem café da manhã tinha pra galera”. Alemão complementa: “o tio de um dos atleta ajudou com a refeição”.

“Os uniformes chegaram às 8h30, horário programado para chegada em Luziânia e só tinha 12 camisas com shorts, além de sete meiões. Uniforme de goleiro não tinha, ele chegou com uniforme (de goleiros) faltando dez minutos para o início da partida. A bola não tinha, tive que pedir para o Guilherme ceder as bolas e fora o dia-a-dia (dentro do clube), sempre falta algo. Nem mesmo o treinador ele conseguiu colocar no BID, enrolando para pagar o registro. tudo ele acha que é do jeito dele. Tudo ele culpa as regras e a Federação”, finaliza o ex-diretor.

O outro lado

Em entrevista à Esportes Brasília, o presidente se defende das acusações. Antonio Teixeira comentou como ele e Bruno iniciaram as conversas para a função que Alemão exerceria no clube.

“Ele nos procurou em meados de agosto último com uma daquelas propostas picaretas de assumir o clube para fazer gestão, bancar todas as despesas, montar elenco e executar as tarefas técnicas através de uma comissão técnica chefiada por ele”, citou.

O mandatário explicou também o imbróglio da senha no sistema da Federação. “O Bruno, logo de início, queria ter acesso a senha e ao login do clube, queria trazer e contratar jogadores. O Alexandre é um mentiroso contumaz disse que só queria um espaço para aprender a profissão de técnico de futebol e nem queria salário algum. Quando esses dois, sem caráter achavam que já tinham espaço dentro do clube, começaram a seduzir os jogadores e a constranger o próprio presidente do clube. O Bruno oferece caixas de frutas que ele consegue a favor de um suposto projeto social e Alexandre se oferece para colaborar em tudo o que for necessário dentro do clube”, alega.

No entanto, Antônio desmente Bruno quanto à quantidade de atletas no BID: “Nós tínhamos mais de 30 jogadores no BID, contando com os atletas dos juniores e os do ano passado. Nós tínhamos cinco titulares com os quais queríamos jogar, mas não conseguimos cadastrá-los. Mas tínhamos outros que jogaram”, contou.

Em seguida, Teixeira afirmou como “poder de negociatas” a fala sobre o auxiliar técnico: “Esta foi uma das razões que nos levou a identificar as astúcias dessa dupla. Agora, depois de terem sido botados para fora do clube, fazem diversas acusações e fazem campanhas difamatórias, certamente porque fracassou o projeto que tinham de montar balcão de negócios aqui”, concluiu.

Apesar dos pesares, o Bolamense volta a campo visitando a ARUC no próximo domingo (03.10), às 15 horas, no Estádio Ciro Machado, na Vila Planalto.

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